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Editando
os diálogos entre Rorty e Habermas, a que antepõe
uma excelente introdução de sua autoria,
José Crisóstomo de
Souza presta um inestimável serviço ao público
brasileiro interessado na problemática filosófica
de nosso tempo.
Permite-lhe o acesso fácil a textos importantes
de dois dos maiores filósofos contemporâneos
e uma desejável familiarização com
a questão momentosa e para eles crucial não
menos que para todos nós- da relação
entre conhecimento racional, postura ética e democracia.
Numa exposição sucinta mas abrangente, articulada
com clareza e acompanhada de inúmeras notas elucidativas,
que testemunham de seu conhecimento exaustivo da bibliografia
pertinente,
José Crisóstomo nos descreve de modo feliz
a interação fecunda entre os itinerários
filosóficos dos dois pensadores, responsáveis
que foram pela continuação e enriquecimento
do diálogo histórico instaurado pelo pragmatismo
entre a filosofia continental européia e o pensamento
filosófico do Novo Mundo.
Oswaldo
Porchat |
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Rorty
e Habermas estão entre os mais importantes intelectuais
e filósofos hoje em atividade, no mundo, e são
provavelmente aqueles que têm maior público,
dentro e fora das universidades. Entrevistas e artigos seus
aparecem em jornais e revistas de grande circulação,
e seus livros são traduzidos e publicados pelo mundo
afora.
Além de suas idéias apresentarem um interesse
que se estende às ciências humanas, às
letras e às humanidades em geral, eles são
também dois dos filósofos mais cosmopolitas
e engajados nas questões do nosso tempo: culturais,
éticas, políticas, humanitárias, científicas.
Partindo de Hegel, de Kant e do marxismo ocidental, Habermas
é considerado hoje um cidadão do mundo
e um intelectual da estirpe de Sartre. Rorty,
que passou da filosofia analítica ao pragmatismo
e à hermenêutica (para onde também converge,
ao seu modo, Habermas), é visto agora como um
homem de letras internacional e o filósofo
mais interessante no mundo hoje. O denominador comum,
dominante, dos dois, é político: o empenho
a favor de causas como justiça, tolerância
e uma comunidade humana global.
N este livro, Habermas e Rorty debatem e dialogam, entre
si, sobre suas concepções mais gerais e, em
especial, sobre filosofia, cultura, razão e política,
num confronto que envolve posições de outros
importantes pensadores, de ontem e de hoje, como Apel e
os pós-modernos franceses, como Dewey
e Wittgenstein, como Heidegger e Nietzsche, como Hegel e
Kant. Suas concepções tratam de levar em conta
os desenvolvimentos mais recentes da filosofia, em relação
a temas como valores, linguagem, verdade e conhecimento.
O livro traz os textos de dois extensos debates entre Habermas
e Rorty, com organização, introdução
e tradução de José Crisóstomo
de Souza, doutor em filosofia pela Unicamp, com pós-doutorado
pela Universidade da Califórnia (Berkeley), e professor
titular de filosofia da UFBA. Outros materiais dos dois
filósofos, em apêndice, completam o volume.
Acompanhe essas verdadeiras conversas filosóficas
e participe delas.
(JCS) |
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Hegelianismo
Fil. da Práxis Democracia.
Para mim são sugestivas as observações
de Jürgen Habermas de que persistimos
ainda no estado de consciência introduzido
pelos jovens hegelianos e que as noções
de jovem hegelianismo e de filosofia da práxis
devem abarcar as variantes democráticas
do pragmatismo", que pode ser considerado
como uma terceira tradição jovem
hegeliana- a única a desenvolver
o espírito liberal da democracia radical. |
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Além
disso, acompanho o rumo geral de sua crítica
da razão centrada no sujeito e de sua
- para mim, ainda insatisfatória - virada
pragmatista. |
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Ascensão e Queda do Sujeito no Movimento Jovem
Hegeliano.
No
curso desse movimento, o sujeito hegeliano, conscientemente
comprometido com uma ordem que o ultrapassa, torna-se
isoladamente universal e autônomo com Bruno
Bauer, converte-se em corpóreo, genérico
e amoroso em Feuerbach, é dissolvido (e recuperado)
nas relações sociais por Karl Marx e
acaba finalmente reduzido a um eu finito, caprichoso
e desengajado em Max Stirner. Conhecer essas variantes
do pensamento crítico radical do séc.
XIX, onde se cruzam idealismo e romantismo alemães,
é ser introduzido à discussão
das alternativas da crítica em nossos dias.
veja
resenha
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Clique
para ouvir, em inglês, Richard Rorty, James Conant
e Hilary Putnam discutindo filosofia. Para isso você
precisa ter o software Real Player, no seu computador,
ou buscá-lo em http://brasil.real.com/player/.
O debate, semelhante àquele entre Habermas e
Rorty, trata criticamente de assuntos como a verdade,
a base de nossas posições morais e políticas
e a solução pragmatista e neo-pragmatista
para essas questões. |
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Ars Vitae / Arte da Vida / Cura Sui:
Historicamente a filosofia tem sido não somente
o conhecimento superior do que é, mas também
e junto com isso - um recurso de auto-formação
e uma prática de vida. É essa dimensão
formadora da filosofia, de alcance tanto privado quanto
público, que retomam, cada um a seu modo, Michel
Foucault, Pierre Hadot, Martha Nussbaum e Richard Rorty.
Para Rorty, trata-se de substituir, como objetivo
do pensamento, o conhecimento da verdade, pela noção
de Bildung (educação, auto-formação).
Esse ponto de vista hermenêutico, desde
o qual a aquisição da verdade diminui
em importância e é vista como um componente
da educação, é possível
somente se nos colocamos num outro ponto de vista,
se nos empenharmos numa atividade poética
de pensar novas coisas e interpretações. |
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| RECÉM
PUBLICADOS: |
-
The
New Hegelians: Politics and Philosophy in the
Hegelian School
(Cambridge University Press):
Junto com: David Leopold (Oxford), Gareth Jones
(Cambridge), Massimiliano Tomba (Padua), Charles
Babour (B.Columbia), Eric von der Luft (Syracuse),
Douglas Moggach (Ottawa), editor.
Filosofia,
Racionalidade, Democracia: Os Debates Rorty-Habermas
(Ed. Unesp)
Com os textos dos debates entre Jürgen Habermas
e Richard Rorty.
Leia apresentação
de Porchat e chamada do autor
A
Filosofia entre Nós
(Ed.
Unijuí)
O que tem vindo a ser e o que se
poderia tornar.
Junto
com Ernst Tugendhat e outros.
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Marx
como virada prática e materialista
ainda insatisfatória.
A promissora virada prática
e materialista que Marx
tentou
operar na filosofia clássica alemã e
no hegelianismo em particular - aproveitando algumas
de suas virtualidades e, infelizmente, desprezando
outras - acabou descambando, como tenho procurado
mostrar, para uma concepção filosófica
substancialista e essencialista, ainda demasiado hegeliana,
metafísica, especulativa
e teoricista, em descompasso com o nosso
tempo. O debate jovem hegeliano e os desenvolvimentos
filosóficos contemporâneos oferecem recursos
para o início da crítica e da superação
de algumas de suas limitações. Sobre
isso, ver, por ex., os dois capítulos finais
do Ascensão e Queda...
e o Marx and Feuerbachian Essence.
Como entendo, a superação
apropriada do marxismo aponta para o desenvolvimento
de um pragmatismo histórico, continental, contemporâneo
e, sob vários aspectos, hegeliano. |
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Hans
Joas (Univ. Livre Berlim) sobre pragmatismo e filosofia
alemã:
"O pragmatismo permite aceitar o que é
razoável na tradição filosófica
alemã (na hermenêutica, no historicismo,
na Lebensphilosophie de Nietzsche, na antropologia
filosófica e no marxismo), sem pender para
suas implicações perigosas, anti-democráticas.
O pragmatismo pode mostrar-se como a solução
para os problemas de outro modo insolúveis
daquela tradição, como solução
para as aporias do pensamento alemão."
Joas (tal como L. Langsdorf e R. Shusterman) está
entre os que exploram a riqueza da noção
pragmatista de ação e de experiência,
em especial sua dimensão estética e
decididamente criativa. |
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Filosofia,
Racionalidade, Democracia.
Temas
como verdade e razão têm interesse para
o desenvolvimento da cultura e para o progresso social?
Que perspectiva filosófica seria apropriada
se alguma seria à defesa e à
promoção de uma utopia democrática?
Seria ruim acharmos que não há de fato
princípios universais e objetivos a favor de
uma política de justiça e democracia?
Posições relativistas e
falibilistas seriam boas ou ruins para
essa política e para o desenvolvimento da cultura
em geral? E para nossas aspirações de
orientação e auto-construção
pessoais?
(JCS)
Depois
da influência de Rorty, a filosofia de Habermas
não voltaria a ser a mesma, afastando-se cada
vez mais daquela de Karl-Otto Apel, seu parceiro no
desenvolvimento de uma ética da interação
discursiva não distorcida. Agora, sem abrir
mão de uma preocupação universalista,
Habermas aprofundaria sua própria virada pragmatista.
o
pragmatismo romântico e nietzschiano de
Rorty versus o pragmatismo kantiano de Habermas
(Acho interessante comparar o debate
Rorty-Habermas àquele entre Karl Marx e Max
Stirner, sem que Habermas tenha o fundacionismo forte
de Marx, nem Rorty chegue ao anarquismo de Stirner.) |
| Leia:
Hegel e o Fim
da História no Liberalismo. |
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A
Filosofia Como Coisa Civil:
A
filosofia civil tem a ver com a Cidade, com um
certo arranjo e funcionamento sociais, em termos
de convivência e realização
humanas, bem como, e por isso mesmo, com um espírito
de investigação, busca e discussão,
de invenção e imaginação
Não
seria necessariamente rebaixar o trabalho da filosofia,
por exemplo, contribuir de algum modo para, com
ela, enriquecer o nível do debate social,
cultural, científico e acadêmico.
Pois o papel da filosofia nessa vida social e
cultural é também, ainda que por
interpostas mediações, torná-la
argumentativamente mais sofisticada e conceitualmente
mais rica, junto com mais inventiva, imaginativa
e livre.
A filosofia civil (por oposição
à "tradicional", ancien
régime) é a filosofia como
existe nos países onde a vida espiritual
foi mais cabalmente transformada pelo Esclarecimento
e pela Modernidade liberal-democrática.
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Com
relação ao texto A Filosofia Civil
(que foi
traduzido para o inglês), Ernst Tugendhat
acha que temos opiniões semelhantes
e Rorty que temos posições
bem próximas sobre a história e
a função da filosofia. |
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Fazer filosofia no Brasil.
Entendo que o que historicamente tem prejudicado o
trabalho de filosofia no Brasil é tanto a tentação
do "filoneísmo" (a queda pelas modas
vindas de fora) como a do "filoarcaísmo"
(o peso excessivo da história e da tradição,
no meu modo de ver, instaurado pela escolástica
e prolongado pelo marxismo). Acho que nos falta 1)
acompanhar, participando, a elaboração
e o debate filosófico contemporâneos,
e 2) enfrentar temas e problemas filosóficos,
seja com recursos mais analíticos
ou mais históricos. Acho que é
o que fazem as comunidades filosóficas pelo
mundo a fora - com espírito pluralista, naturalmente,
em relação a posições
e a modelos de trabalho. Aparentemente apenas Portugal,
nem mesmo a América espanhola, permanece tão
historiografista quanto nós. |
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Em
Portugal...
Tanto
quanto sei, a filosofia em Portugal não sofreu
influência significativa de Goldschmidt ou Guéroult.
O que se passou foi que os departamentos de filosofia
foram constituídos com professores cuja formação
original era a história, e não a filosofia.
Essa penso ter sido a influência mais marcante.
A segunda influência foi linguística:
como a generalidade dos professores não dominava
a língua inglesa, entendiam que a filosofia
era fundamentalmente de língua francesa...
(Prof. Desidério Murcho. King´s College,
London. Leia
mais.) |
| Filosofia/Brasil:
1)
a experiência histórica brasileira com
a filosofia
2)
o trabalho filosófico na universidade
3)
guia para um trabalho de filosofia |
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  A
Filosofia entre Nós.
Como anda o trabalho de filosofia na
universidade brasileira? A que resultados nossos
esforços de formação têm
conduzido?
Fazemos filosofia ou fazemos só história
da filosofia (mais exatamente, comentário
interno da obra dos grandes filósofos)?
Temos, na nossa área, renovado e superado
ou, de ouro lado, também reiterado
alguns dos nossos hábitos menos satisfatórios
(v.g.escolásticos) de pensamento e de ensino?
[Leia sobre Tugendhat e
o sujeito (em francês)]
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Giannotti:
"Para nós a filosofia passava
por uma disciplina do texto, e, sobretudo,
o que foi muito importante para a nossa geração,
passava pela alienação num pensamento
alheio (...); ver o mundo da perspectiva de
Kant ou de Husserl (...). A situação
hoje é totalmente diversa, porque agora
nós chegamos num momento em que o departamento
se esgotou, que esse pensamento técnico
também se esgotou, ele se transformou
numa espécie de engessamento do pensamento,
não é isso?"
in
Vilém Flusser no Brasil, p. 228, 234 |
Tércio
Ferraz: "Quando
cheguei à Alemanha, nessa vez, lembro-me
de ter conversado com meus colegas de lá,
dizendo: 'Acho que vou fazer uma coisa ousada.
Vou tentar escrever sobre, e discutir, um problema
filosófico. Não quero mais interpretar
filósofos'. 'E daí?', responderam
eles, que não viam nada de anormal no
que eu estava dizendo. Acontece que, ao aprender
filosofia com rigor estrutural, eu tinha sofrido
uma verdadeira castração na Faculdade
de Filosofia [da USP] (nada além de história
da filosofia), e isso era algo que eles não
compreendiam."
in
Conversas com Filósofos Brasileiros,
p. 277 |
Enfim,
como avançar para além do comentário
(e do ensino) passivo dos grandes mestres,
apesar do déficit de publicações
atualizadas (v.g. periódicos e coletâneas)
em nossas bibliotecas, e do nosso relativo isolamento,
acarretado pela língua? Como fazê-lo,
apesar da menoridade da nossa universidade e apesar
da nossa falta de tradição... de elaboração
em filosofia? Ou, ao reverso, como fazê-lo
apesar do peso, entre nós, ainda, da tradição
do Magister dixit, que nos deixa pouco à
vontade com o sapere aude, com o pluralismo de posições
e com o debate?
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A
Filosofia Como Coisa Medieval ?
Com muita freqüência, quando se escreve
a história da Filosofia grega, se põe
ênfase especial nas doutrinas especulativas
que se pretenderam capazes de ensinar aos homens a
Verdade (...). Daí muitas vezes resulta que
se dá uma atenção preferencial
ao estudo do platonismo, do aristotelismo, do estoicismo.
Não se pode, entretanto, ignorar que uma tal
história é, originalmente, uma história
cristã da filosofia. (...) Se a Filosofia moderna
se constituiu, num certo sentido, num processo de
ruptura com o pensamento medieval, não é
menos verdade que muito da postura própria
a este foi por ela mantido. (Porchat, Autocrítica
da Razão no Mundo Antigo).
 |
"Porchat:
o filósofo dos homens comuns e o professor
democrático de filosofia."
JCS |
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Internet,
uma nova Ágora para a filosofia? |
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